Vera Helena Mirandez celebra em 2026 os 30 anos da padaria Dona Deôla. A empresária passou por todas as ondas e transformações das padarias: do pão na chapa aos bufês de café, almoço e padarias artesanais. “A minha padaria é artesanal. Eu tenho todos os pães de levain”, conta ela. Ela ajudou a abrir a empresa da família em 1996 e mantém pães de fermentação natural no balcão, ao lado do pão de nozes e do amado pão francês. Porque, muitas vezes, o cliente quer simplesmente um pão na chapa. Vera defende um balcão que comporte os dois pedidos, sem fazer do levain uma senha de entrada. “Eu acho padaria um lugar muito democrático”, afirma Vera, que celebra as três décadas em 12 de novembro.As 35 unidades vendem cerca de 1,15 milhão de pães franceses, 102 mil cafés e 27 mil coxinhas. Os buffets de almoço servem 67 toneladas de comida. O endereço da primeira loja, na Avenida Pompeia, já pertencia à história da família. Em 1949, Dona Deolinda, avó de Vera e imigrante portuguesa recém-chegada ao Brasil, abriu ali a Padaria do Lar. A mãe de Vera trabalhava com ela no balcão, enquanto a menina ficava perto do padeiro. A padaria fechou em 1957, mas o imóvel permaneceu na família. Depois de uma sucessão de inquilinos, o pai de Vera desistiu de alugá-lo.A ideia de abrir outra padaria veio de um irmão que morava no México e dizia querer voltar ao Brasil. Vera era diretora na Editora Abril. Seu marido, Flávio, trabalhava num banco. O irmão prometeu que voltaria se o negócio saísse. A família abriu a Dona Deôla em 1996, com o nome da avó. “Bom, encurtando, até hoje ele não voltou.” Vera e Flávio, sim, deixaram seus empregos e passaram a cuidar da operação.Engenheira de formação, passou a fazer as tarefas da padaria, do escritório ao balcão. O escritório continua pequeno, sobre a primeira loja, com móveis comprados por Flávio numa reforma do banco em que trabalhava na época da inauguração.Pelo histórico no mercado editorial, Vera diz nunca ter sofrido preconceito. Na Editora Abril, as mulheres eram maioria. Na padaria, formou uma equipe diversa e se orgulha disso. “Pessoas de religiões, cores, gêneros e orientações diferentes trabalhando juntas”, conta Vera.Vera assumiu marketing e produto, áreas de que gosta até hoje. Passou um ano desenvolvendo o Bolo Bem-Casado. O Pão Delícia apareceu numa convenção de distribuidores na Bahia, quando ela ainda dividia os dias entre a Editora Abril e a padaria. Provou o pãozinho no coffee break, pediu a um distribuidor que trouxesse uma caixa da casa que o produzia e a levou no colo, no avião. Na confeitaria da Dona Deôla, anunciou a novidade. Seu Luiz, confeiteiro já falecido, olhou a caixa: “Dona Vera, por que você não falou logo? Eu fiz esse pão durante 15 anos”. A viagem revelou uma receita que já estava nas mãos de quem trabalhava com ela. O pão que veio da Bahia e o bolo que exigiu um ano de testes continuam entre os produtos mais vendidos da rede. Outra mudança grande veio de um gerente com experiência em hotel, que sugeriu aproveitar a produção da padaria para montar um buffet de café da manhã. Vera afirma que a Dona Deôla foi a primeira padaria de São Paulo a oferecer esse serviço. Depois, os escritórios vizinhos começaram a pedir comida, veio o balcão de doces, o buffet por quilo, a sopa da noite, o buffet noturno e os fornos de pizza. Vera também cuida dos eventos desde a abertura. Durante 15 anos, organizou formaturas, algumas para até 12 mil pessoas. No jogo da NFL em São Paulo, a rede ficou responsável pelo catering do primeiro ao décimo andar, para jogadores, técnicos, arbitragem e tribuna de honra. Eram 17 cardápios, e Vera fez turnos das 7h às 4h da manhã do dia seguinte.A expansão ganhou velocidade nos últimos cinco anos e abriu 21 pontos em 17 endereços de São Paulo, Cotia, Barueri e do ABC. Atualmente, são cinco padarias de rua. As outras operações estão dentro de hospitais, universidades e empresas. A rede administra tudo diretamente, sem franquias. “É de enlouquecer, mas é toda da gente”, brinca Vera, que administra 1.200 funcionários.A empresa estuda equipamentos para a produção, pedidos em tablets e pagamentos em totens. Vera vê utilidade na tecnologia para aliviar etapas da operação, mas estabelece um limite para o atendimento: “Nunca vai substituir o ser humano, jamais.” Ela cobra um sorriso de quem trabalha no balcão. “Você tem que acolher.” A frase ganha peso numa empresa que serve tanto quem toma café antes do trabalho quanto quem sai de um plantão de hospital de madrugada.O tamanho da rede também mudou a maneira de dividir o trabalho na família. Flávio e o filho André cuidam das finanças e da expansão. A filha assumiu o RH, antes sob Vera. A nora coordena as operações em empresas e hospitais, apoiada por três gerentes regionais. Vera continua à frente do marketing e acompanha a operação no escritório da Pompeia, onde sustenta essa rotina há 30 anos, agora dividindo as decisões com a família e com uma equipe que conhece o balcão por dentro.De 1º de outubro a 30 de novembro, a Dona Deôla promove a campanha “Onde o dia a dia vira recordação”. Os clientes recebem uma raspadinha premiada na saída; uma roleta premiada percorre as unidades e premia compras a partir de R$ 100. Cada loja terá, em data própria, um Dia da Comemoração com distribuição do Bolo 30 Anos. Um QR Code nas unidades permite enviar memórias sobre a padaria, e as histórias que a empresa julgar mais emocionantes receberão uma cesta comemorativa. “É uma grande conquista, porque não é fácil uma empresa sobreviver por tantos anos”, diz Vera. Campanha “Onde o dia a dia vira recordação”: de 1º de outubro a 30 de novembro de 2026, nas unidades da Dona Deôla.Dona Deôla Pompeia: Avenida Pompeia, 1937, Pompeia, São Paulo. Telefone: (11) 3672-6600. Segunda-feira, das 6h à meia-noite; de terça a sábado, 24 horas; domingo, da meia-noite às 22h.Dona Deôla Alto da Lapa: Rua Pio XI, 1377, Alto da Lapa, São Paulo. Telefone: (11) 3022-5640. Todos os dias, 24 horas.Dona Deôla Higienópolis: Rua Conselheiro Brotero, 1422, Higienópolis, São Paulo. Telefone: (11) 3826-4648. De segunda a sábado, das 6h às 23h; domingo, das 6h às 22h.Dona Deôla Granja Viana: Rodovia Raposo Tavares, km 22, Granja Viana, Cotia. Telefone: (11) 4612-2288. Todos os dias, 24 horas.Dona Deôla Saúde: Avenida Professor Fagundes Filho, 805, Saúde, São Paulo. Telefones: (11) 3564-4005 e (11) 3564-3005. Todos os dias, das 6h às 22h40.Site oficial e Instagram: @donadeola.✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












